Para bancos e cooperativas: o imóvel do crédito rural, camada por camada
Quem concede crédito rural responde por uma pergunta territorial: o empreendimento está em área sobre a qual incide algum impedimento do Manual de Crédito Rural? E, desde 2026, precisa responder de novo ao longo da operação, com registro do que verificou.
O ESTRATO lê o imóvel nas bases públicas federais e estaduais e entrega o resultado com a prova de cada consulta. A decisão de crédito continua da instituição.
O que mudou para quem concede
As resoluções recentes do Conselho Monetário Nacional, conferidas no Banco Central, trouxeram quatro pontos que pesam na leitura do imóvel:
- Verificação ao longo da operação. A Seção 2-7 do MCR (Res. CMN 5.267/2025, vigente desde 01/03/2026) prevê verificação "antes da contratação até a liquidação do financiamento", com registro das verificações, e admite bases de dados publicamente disponíveis e fontes externas.
- Sensoriamento remoto acima de 300 hectares. Custeio e investimento contratados desde 01/03/2026 com área total acima de 300 hectares exigem sensoriamento remoto (MCR 2-7-5).
- Área contínua. Para unidade de conservação, terra indígena, quilombo titulado e floresta pública tipo B, a verificação ao longo da operação alcança área contínua explorada, inclusive fora do imóvel. Para embargo e vegetação nativa, só a área contínua dentro do imóvel (MCR 2-7-8).
- PRODES no item 17. A verificação de supressão de vegetação nativa após 31/07/2019, na lista do MMA gerada do BiomasBR, começa em 04/01/2027 para imóveis acima de 15 módulos fiscais, 01/07/2027 para os de 4 a 15 e 03/01/2028 para os de até 4 (Res. CMN 5.303/2026).
Detalhe e fontes em Crédito rural e MCR 2-9.
O que o ESTRATO entrega à área de crédito
Antes da contratação. Relatório do imóvel, federal e do estado onde ele está, com cada camada sobreposta ao polígono: unidades de conservação, terras indígenas, territórios quilombolas, florestas públicas, embargos do IBAMA e do ICMBio, PRODES e DETER, situação do CAR, certificações do INCRA, e as bases estaduais de São Paulo, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais. Cada incidência com área em hectares e percentual do imóvel.
Quadro MCR. Junto com o relatório, um quadro informativo item por item da Seção 2-9, com o resultado de cada camada (sem ocorrência, indício ou não verificado) e o motivo. Quando a área passa de 300 hectares, o quadro lembra a regra de sensoriamento da Seção 2-7.
Anexo de evidências. A resposta original de cada fonte, com endereço, data, hora e hash SHA-256. É o que a instituição guarda para mostrar, depois, o que a base dizia no dia.
Ao longo da operação. O mesmo polígono entra no monitoramento: todo dia, embargos do IBAMA e do ICMBio, autos de infração do IBAMA, alertas DETER e focos de queimada; todo mês, a leitura completa, federal e estadual. O alerta sai só quando algo muda, com a evidência que o sustenta.
Três cuidados que o método já traz
- Camada fora do ar não vira "nada consta". Se o serviço oficial não respondeu, o relatório e o quadro dizem que a camada não foi verificada.
- Borda não vira indício. Sobreposição de área desprezível entre duas bases sai como "não verificado", com a indicação de conferir na imagem.
- Dado pessoal mascarado. CPF e CNPJ de terceiros que aparecem nas bases (o titular de um embargo, por exemplo) saem mascarados no material entregue.
Para carteira
O método é o mesmo em todos os imóveis, o que permite comparar a carteira e auditar a amostra. A carteira monitorada é contratada por arquivo KML; um KML com vários polígonos paga uma assinatura só, e o valor por KML cai com o volume.
O que o ESTRATO não faz
Não decide o crédito, não é o laudo nem o documento de regularização que o MCR admite, não substitui a análise do proponente nem a vistoria. É material informativo, feito com as bases públicas na data e hora de cada consulta.
Perguntas
O ESTRATO substitui o sensoriamento remoto exigido acima de 300 hectares?
Não. O MCR 2-7 detalha o que o registro do sensoriamento deve conter (satélite, sensor, data das imagens, metodologia). O ESTRATO entrega a leitura das bases públicas sobre o polígono, com prova de cada consulta, que apoia a verificação da instituição.
Dá para usar o código do CAR do proponente?
Dá. O polígono pode entrar em KML ou KMZ, ou só pelo código do CAR ou da parcela SIGEF.
Como fica a área contínua fora do imóvel?
O relatório lê o entorno de cada camada (por exemplo, 3 km para unidades de conservação e 10 km para terras indígenas e quilombolas), o que mostra o que está ao lado do imóvel. A área contínua explorada fora do imóvel precisa entrar como polígono para ser lida como tal.
Com que frequência o monitoramento roda?
Todo dia para embargos, autos, DETER e focos; todo mês para a leitura completa. Ver Monitoramento de imóvel rural.
Diga quantos imóveis, em quais estados, e se o interesse é relatório, monitoramento ou os dois.
Pedir propostaFontes oficiais
Normas conferidas em 07/11/2026, na busca de normas do Banco Central. Links e detalhe em Crédito rural e MCR 2-9.
O que o ESTRATO entrega é material informativo, complementar à análise jurídica, feito com as bases públicas disponíveis na data de cada consulta. Não constitui serviço nem parecer jurídico, nem laudo técnico, não substitui ART/RT e não dispensa certidões, matrícula atualizada e vistoria de campo.